
Avanço com uma resposta provisória: há que olhar para a auto-avaliação como elemento central do aperfeiçoamento das práticas profissionais. Não se trata de evitar a prestação de contas, de um pretexto para camuflar práticas profissionais caducas. Trata-se de relevar o único instrumento capaz de levar um profissional a buscar o saber e o sentido desse saber. Direi que é necessário formar profissionais reflexivos, criativos e autónomos, que buscam a competência técnica mas que não dispensam a preparação cultural. É, por conseguinte, a montante das escolas, nas instituições de formação de professores que devem ser aferidos e controlados os pré-requisitos do processo de auto-avaliação. É na formação contínua que devem ser renovados esses processos. Isto significa que as instituições de formação inicial de professores não terminam a sua acção no momento em que cortam o cordão umbilical com os professores. Significa que devem acompanhar os professores do ensino não superior e aprender com as escolas dos ensinos Básico e Secundário. A formação inicial não pode dispensar as experiências escolares e o trabalho nas escolas sob pena de se constituir como um obstáculo à transformação das práticas nas escolas.
Emerge deste olhar, que procura comprometer as instituições superiores e não superiores, um grande enigma: como justificar o silêncio das instituições superiores de formação de professores no período em que decorreu a discussão pública da avaliação do desempenho dos docentes? Não teriam estas instituições de participar na definição do perfil profissional que subjaz às grelhas de avaliação do desempenho docente?
(1) CANÁRIO, R. (2005). O que é a Escola? Porto: Porto Editora.
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